11/05/22

A POMPA FÚNEBRE DE CARLOS: AS INSÍGNIAS IMPERIAIS (I)

Desde o próprio Carlos V, o imperador era pouco mais que um primus inter pares, mas as insígnias ainda exprimiam a ideia de um autocrata universal.

A seção de La magnifique et sumptueuse pompe funèbre... que se estende da prancha n.º 21 à n.º 28 mostra alguns gentis-homens e grandes senhores carregando as insígnias imperiais, a começar pelas bandeiras. As formas dessas bandeiras correspondem perfeitamente às insígnias pessoais que se veem às pranchas n.os 3, 4 e 6: grandes, longas e de cauda arredondada, a do grande estandarte bífida, à exceção da "grande bandeira imperial" ("grande bannière impériale"), quadrada. Todas eram armoriadas com as armas imperiais.

Pranchas n.os 21, 22 e 23 de La magnifique et sumptueuse pompe funèbre... (exemplar do INHA).
Pranchas n.os 21, 22 e 23 de La magnifique et sumptueuse pompe funèbre... (exemplar do INHA).

Pedro López de Ayala, conde de Fuensalida, levava o pendão imperial, menor, e Maximilien de Melun, visconde de Gand, o guião, maior. O grande estandarte era levado por Giovan Battista Carafa, conde de Policastro, e a grande bandeira, por Juan Arias de Saavedra, conde de Castellar e gentil-homem da Boca. Atrás do guião, Don Pedro de Ulloa, gentil-homem da Casa, e Antoine de Rubempré, senhor de Vertaing e gentil-homem da Boca, levavam um cavalo com uma gualdrapa que o cobria até os joelhos, e atrás do grande estandarte, havia outro, cuja gualdrapa lhe alcançava os tornozelos, levado por Don Pedro de las Roelas, gentil-homem da Boca, e Camillo da Correggio, gentil-homem da Câmara. Ambas as gualdrapas, como as bandeiras, eram armoriadas com as armas imperiais.

Pranchas n.os 24, 25 e 26 de La magnifique et sumptueuse pompe funèbre... (exemplar da BnF).
Pranchas n.os 24, 25 e 26 de La magnifique et sumptueuse pompe funèbre... (exemplar da BnF).

Em seguida, quatro grandes senhores ostentavam as armas dos costados do finado imperador.

Jean de Croÿ, conde de Rœulx, levava o escudo da duquesa Maria da Borgonha, avó paterna de Carlos V: esquartelado, o primeiro e quarto de azul, semeado de flores de lis de ouro, com uma bordadura composta de prata e vermelho (que é de Borgonha moderno); o segundo e terceiro partidos, o primeiro bandado de ouro e azul com uma bordadura de vermelho (que é de Borgonha antigo); o segundo de negro com um leão de ouro, armado e lampassado de vermelho (que é de Brabante); sobre o todo, de ouro com um leão de negro, armado e lampassado de vermelho (que é de Flandres).

Luis Sarmiento de Mendoza, conde de Ribadavia, levava o escudo da rainha Isabel de Castela, avó materna de Carlos V: esquartelado, o primeiro e quarto de vermelho com um castelo de ouro, aberto e iluminado de azul (que é de Castela); o segundo e terceiro de prata com um leão de púrpura, armado e lampassado de vermelho e coroado de ouro (que é de Leão).

Rodrigo Pachecho Osorio, marquês de Cerralbo, levava o escudo do imperador Maximiliano, avô paterno de Carlos V: de ouro com uma águia de duas cabeças de negro, nimbadas de ouro, e um escudete brocante sobre o peito da águia, partido: o primeiro de vermelho com uma faixa de prata (que é da Áustria); o segundo bandado de ouro e azul com uma bordadura de vermelho (que é de Borgonha antigo, jure uxoris).

Lorenzo Suárez de Mendoza, conde de Coruña, levava o escudo do rei Fernando de Aragão, avô materno de Carlos V: esquartelado, o primeiro e quarto contraesquartelados, o primeiro e quarto de vermelho com um castelo de ouro, aberto e iluminado de azul; o segundo e terceiro de prata com um leão de púrpura, armado e lampassado de vermelho e coroado de ouro (que é de Castela e Leão, jure uxoris); o segundo e terceiro partidos, o primeiro de ouro com quatro palas de vermelho; o segundo franchado, o primeiro e quarto de ouro com quatro palas de vermelho; o segundo e terceiro de prata com uma águia de negro (que é de Aragão e Sicília), embutido em ponta de prata com uma romã de verde, sustida e folhada do mesmo, aberta de vermelho (que é de Granada, jure uxoris).

O escudo de Maximiliano I ia timbrado com a coroa imperial e os demais, com coroa real, a qual para o de Maria da Borgonha devia de ser ducal. Seguiam-se as insígnias imperiais.

Giovan Girolamo Acquaviva, duque de Atri, carregava o elmo imperial: de ouro com paquifes do mesmo metal e prata, coroado e sustentado por uma vara.

Carlo Spinelli, duque de Seminara, levava o escudo imperial: a águia de duas cabeças de negro, nimbadas de ouro, em campo do mesmo, com as armas pessoais de Carlos V sobrepostas, a saber, cortado, o primeiro partido e o primeiro esquartelado de Castela e Leão; o segundo partido de Aragão e Sicília; embutido em ponta de Granada; o segundo esquartelado de Áustria, Borgonha moderno, Borgonha antigo e Brabante; sobre o todo do esquartelado, de Flandres. Ia timbrado com a coroa e rodeado pelo colar da Ordem do Tosão de Ouro, tudo também sustentado por uma vara.

Luis de Leiva, príncipe de Ascoli, levava a espada imperial.

Carlo di Lannoy, príncipe de Sulmona, levava a cota, armoriada com as armas imperiais.

Atrás da cota de armas, iam dois maceiros com maças rematadas por coroas imperiais e, em seguida, três reis de armas do imperador.

Continuando, Carlo Ventimiglia e Don Manrique de Lara, gentil-homem da Boca, levavam um cavalo cuja gualdrapa manifestava o luto pelo falecido: era negra com uma cruz vermelha, cantonada por escudos das armas imperiais, tal como o carregado pelo duque de Seminara, também reproduzido sobre a fronte desse cavalo.

Pranchas n.os 27 e 28 de La magnifique et sumptueuse pompe funèbre... (exemplar da BnF).
Pranchas n.os 27 e 28 de La magnifique et sumptueuse pompe funèbre... (exemplar da BnF).

O conde Alberto de Schwarzburg, capitão dos alemães, levava o colar da Ordem do Tosão de Ouro sobre um coxim preto.

Luis Fernández Manrique de Lara, marquês de Aguilar, levava o cetro imperial.

Martín de Gurrea y Aragón, duque de Villahermosa, levava a espada de honra.

O príncipe Guilherme de Orange levava o orbe imperial.

Antonio de Toledo, prior da Ordem Hospitalária no reino de Leão e escudeiro-mor, levava a coroa imperial.

Como fiz em relação às armas dos estados, deixarei o comentário às insígnias imperiais para a próxima postagem.

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